quinta-feira, 16 de junho de 2011

"Quero viver, não ser o sobrevivente"

Não consigo dormir… Ando a aperceber me ultimamente que o meu sono me abandona sempre que estou triste, sempre que quero esquecer…Ele simplesmente abandona me, deixa me ali refugiada num nada com mil e um pensamentos que me passam pela cabeça (dos quais me quero esconder). É uma batalha que tenho travado todos os dias… sou a minha própria tropa, sou uma guerreira sozinha, porém, sem qualquer sucesso, deixo me levar pelas tropas inimigas e quando me apercebo já rodei os mil e um pensamentos que me vão passando pela cabeça e estou prestes a rodá-los mais uma vez: tento encontrar repostas a todos os “porquê?”… tento ser racional e não emocional, tento dizer a mim própria que estou a lutar mas que sou uma pessoa inocente e que não mereço estar na frente de combate… sou um civil, por assim dizer, devia até fazer o papel de uma criança (os mais protegidos numa guerra) porque nesta guerra eu sou, de facto, uma. Devia ser a mais protegida, a mais amada, no entanto não passo de uma criança abandonada por quem mais ama.
Fugindo um pouco á visão deste assunto como uma guerra, como é que é possível Fernando Pessoa defender (algumas vezes através dos seus heterónimos) que é péssimo ser racional? “A dor de pensar”? Como é isto possível? Pensar não dói… sentir dói, sentir dói de facto, muito. Apenas dá-me vontade de me tornar uma pessoa fria, calculista, racional, tudo o que fosse necessário para deixar de sentir a dor que me acompanha, agarrada ao meu peito como uma rémora agarrada ao tubarão. Mas também, se eu fosse assim (sem sentimentos), não sentia a alegria das coisas, coisas essas que conseguem, de certo modo, aliviar a minha dor, mas tira-la alguém consegue? Sim, consegue… porém isso está nas mãos de apenas uma pessoa, pessoa essa que opta por salvar pessoas não tão inocentes, pessoa essa que está do lado dos meus pensamentos, aliás é essa pessoa que me faz pensar, é dona dos meus pensamentos e, mais uma vez, passa-me pela cabeça a imagem da criança abandonada…
Estou num beco sem saída e apenas peço que alguém suficientemente forte para enfrentar isto tudo, me estenda a mão para me tirar daqui, deste sufoco que se tornou esta guerra, a qual não quero travar, da qual só me quero ver livre… Quero coisas boas na minha vida, quero correr debaixo da rega automática, quero uma noite na praia com o céu estrelado para brincar com as acendalhas, quero apanhar flores de um jardim, quero dar essas mesmas flores, quero uma cascata, o por do sol e aquela pessoa, quero ter brincadeiras, mimos… “quero viver, não ser o sobrevivente”, mas todos estes pequenos sonhos e planos estão a fugir me por entre os dedos e por mais que os queira apanhar, não consigo… dou-me assim por vencida… é um facto: não passo de uma sobrevivente.

1 comentário:

  1. sentir não dói. tomar consciência do que se está a sentir é que dói. mas a ti nao pode doer

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